Patrimônio histórico, cultural e educacional

Patrimônio histórico, cultural e educacional

AS ESCOLAS DE PRAIA GRANDE, SP

No ano de 2014, o Curso de Licenciatura em Pedagogia da Faculdade Alfa, em Praia Grande, SP, formou o Grupo de Pesquisa Patrimônio Cultural e sua relação com a educação, sendo constituído por professores do referido curso e por alunos da graduação.

Esse grupo de pesquisa tem como objetivo o levantamento e a catalogação de fontes primárias e secundárias para o desenvolvimento de pesquisas no âmbito da história educacional da cidade de Praia Grande, sua interface e diálogo com a história da educação paulista.

Atualmente, o grupo se dedica ao resgate da história de instituições educacionais praiagrandenses, no período de 1900 a 1967, bem como realiza um levantamento da educação não formal existente e sua relação com a cidade.

A história se faz com documentos, que testemunham o passado. Assim, com o rigor das ciências, o grupo de pesquisa sai em busca de conhecer o passado educacional da cidade. A utilização simultânea de fontes documentais, iconográficas e orais norteiam o estudo dos primeiros grupos escolares criados nas terras de Praia Grande.

Como trabalho pioneiro, a professora pesquisadora Tânia Vieira Dias e o grupo de graduandos procuram arrolar as instituições escolares do, então, bairro Praia Grande, ligado à cidade de São Vicente. O período selecionado para a pesquisa foi do ano de 1900, início do desenvolvimento da região, até o 1967, ano em que aconteceu a emancipação do município.

Durante a pesquisa, faz-se necessária uma breve descrição da localidade de Praia Grande, apenas para explicitar, por que e como surgem as primeiras salas de aulas, os primeiros grupos escolares.

Identificar e caracterizar a filosofia social que de desenvolveu nesta localidade e que certamente repercutiu na criação dos primeiros grupos escolares em favor do povo, entendido como grupo menos favorecido na sociedade, é também outro objetivo da pesquisa.

A pesquisa também procura evidenciar a mentalidade de dirigentes ou de grupos sociais, que se preocuparam com a educação popular a partir do início do século XX.

Para escrever a história de Praia Grande e seu processo educacional, faz-se necessário retroceder ao tempo da Capitânia de São Vicente.

São Vicente foi a primeira vila brasileira construída pelos portugueses em 1532. Fundada por Martim Afonso de Souza, ali foram plantadas as primeiras mudas de cana de açúcar, no Engenho de São Jorge dos Erasmos. Até 1540, o local foi o principal centro econômico das Américas. Passou por grandes dificuldades decorrentes de ataques indígenas, incursões de piratas e por desastres naturais. A partir do século XVII, São Vicente sofreu um longo período de estagnação devido ao desenvolvimento da Vila de São Paulo que atraiu muitos dos seus antigos moradores e também pela decadência da lavoura canavieira. A vila de São Vicente só recebeu o título de cidade em 29 de outubro de 1700, mas esse fato não contribuiu para alavancar o seu desenvolvimento.

Quanto ao território de Praia Grande, ele sempre pertenceu as terras vicentinas e por muito séculos foi habitado por povos indígenas do litoral paulista. É certo que, já no século XVIII, era possível observar a presença dos primeiros colonos e caiçaras na região, fato esse registrado no recenseamento do ano de 1765. Os sitiantes criavam algumas cabeças de gado e plantavam arroz, mandioca, cana de açúcar, milho, feijão, batata doce, abacaxi, pimenta, tomate, laranja e café. Cortavam árvores para produzir madeira e faziam chapéus de palha, aguardente e farinha.

Ao final do século XIX, muitos desses sítios deixaram de ser produtivos e então, surgiu a venda de grandes loteamentos, que atraiam investidores e moradores à Vila de Praia Grande.

O rápido desenvolvimento da região deu-se a partir do século XX, com a liberação dos investimentos federal e estadual de duas grandes construções: a Fortaleza de Itaipu e a Ponte Pênsil.

Algumas famílias mais abastadas, proprietárias de grandes terras, que passaram a residir na localidade, preocupadas com a educação dos filhos, recorriam aos estabelecimentos de ensino fora dos limites de Praia Grande, ou seja, matriculavam as crianças e jovens na região central da cidade de São Vicente.

Já as famílias mais humildes, ficavam sem acesso ao ensino primário e estavam sempre à espera de uma alma caridosa que se prontificasse a ensinar as primeiras letras às crianças pobres dos arrabaldes.

Certamente, esses moradores do pequeno vilarejo Praia Grande, preocupados com a educação de seus filhos, sempre que podiam, reivindicavam a instalação de uma casa de ensino.

Assim, o primeiro registro oficial da criação de uma Escola Pública na região de Praia Grande aconteceu em 8 de dezembro de 1890.

O governador do Estado de São Paulo, atendendo a uma solicitação do Conselho Municipal de Instrução de São Vicente, converteu em mista e transferiu para o bairro do Boqueirão da Praia Grande, em São Vicente, a escola do sexo masculino de Piaçabuçu.

A implantação dessa escola trouxe mudanças significativas para o ensino primário e para a sociedade local.

Partindo da história de instalação da 1ª escola pública no Boqueirão de Praia Grande, o grupo de pesquisa volta-se para explorar e reconstruir a trajetória de outros grupos escolares que também foram construídos a partir do surgimento de novos bairros da Praia Grande.

O trabalho é árduo, faz-se necessário o arrolamento de documentação de uma série de instituições. Algumas não têm nenhum acervo ou quase nenhum registro. Evidentemente, os pesquisadores buscam possíveis fontes para organizar os fatos, resgatar e, futuramente, divulgar parte da história educacional, ou seja, parte da memória da cidade de Praia Grande.

 

Profª. Ms. Tânia Vieira Dias

Coordenadora do curso de Pedagogia da Faculdade Alfa